Após a volatilidade atingir seu ponto mais alto ao final de 2008, o mercado se preparou para o pior cenário possível este ano. O que ocorreu em 2009, no entanto, foi o desparecimento dessa incerteza e o retorno das tendências.
Para os especialistas ouvidos pelo Brasil Econômico On-line, embora os mercados ainda não tenham recuperado os níveis pré-crise, a rentabilidade foi altíssima e a previsão é de continuidade dessa recuperação.
"O cenário para o mercado acionário europeu em 2009 não foi diferente do resto do mundo. O fundo do poço veio em março, seguido por forte recuperação até o final do ano, assim como Ásia e Brasil tiveram uma recuperação impressionante", assinala Maurício Molan, economista sênior do Grupo Santander Brasil.
Molan atribui o "bom ano" à melhor percepção da recuperação da economia. "Um ano atrás, a visão sobre 2009 era extremamente negativa e havia uma forte aversão ao risco. A partir de março, houve uma virada surpreendente", acrescenta.
Apesar da retomada acima das expectativas, é possível afirmar que este foi um dos piores anos para a economia europeia, que já há algum tempo não vinha acompanhando o ritmo de outros países.
Na opinião do advogado especialista em mercado de capitais do Emerenciano, Baggio e Associados, Alysson Cézar dos Santos, a Europa sofre com a ausência de um banco unificado, a exemplo do Federal Reserve, o banco central americano.
"O BCE (Banco Central Europeu) não inclui a Inglaterra, o que é negativo. A Inglaterra liderou este ano em termos de estratégias de recuperação, auxiliando na definição de políticas econômicas mundiais", afirma o advogado.
O economista da Gradual Investimentos André Perfeito concorda que, embora a economia do Velho Continente tenha dado sinais de retomada em 2009, ainda falta muito para retomar o patamar pré-crise.
"A zona do euro está muito aquém e deve ser a última região econômica mundial a se livrar da recessão, em decorrência principalmente do abalo no setor financeiro", diz Perfeito, que ressalta, entre os maiores desafios, a diminuição do elevado desemprego em países como a Espanha.
Este ano (até 23 de dezembro), o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, subiu 21,16%; o DAX, de Frankfurt, 23,77%; o CAC-40, de Paris, 21,53%; e o Ibex-35, de Madri, 30,14%.
Efeito Dubai
Em 25 de novembro, o conglomerado estatal Dubai World, nos Emirados Árabes, surpreendeu o mundo ao anunciar que pediria aos seus credores o adiamento do pagamento de US$ 26 bilhões em dívidas.
Os mercados globais afundaram nos dias subsequentes, até que medidas de reestruturação fossem tomadas. Entre elas, o governo de Abu Dabi disponibilizou uma ajuda de US$ 10 bilhões, para pagamento da dívida de US$ 4,1 bilhões da gigante imobiliária Nakheel.
Passado o pânico inicial, o setor financeiro europeu foi o mais afetado, especialmente os bancos britânicos - os mais expostos à dívida do Emirado.
Para André Perfeito, da Gradual Investimentos, o evento em Dubai pegou o mercado de surpresa e serviu para comprovar a tensão em que investidores se encontram. "Podia ter sido pior e ter reativado a desconfiança entre os bancos, situação da qual foi difícil sair".
O professor de Finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, acredita que houve "certo exagero" na reação do mercado, que encontrou uma justificativa para a realização do setor bancário, que já estava fragilizado.
"O pânico se instalou, mas o mercado se restabeleceu. O setor financeiro, que já estava deficiente, foi o mais prejudicado e, consequentemente, vai demorar mais para se recuperar", explica Torres.