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Fonte: Diário do Comércio - 22/04/2008
 


Por Fernanda Pressinott

A mais tradicional das aplicações financeiras continua chamando a atenção dos investidores. E não é para menos: a poupança rendeu 1,7% no primeiro trimestre deste ano, oferecendo um pequeno ganho em relação à inflação (1,52% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA). Se comparada a aplicações mais arriscadas, como a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que somou perdas de 4,6% pelo Ibovespa (principal indicador do mercado acionário brasileiro) no mesmo período, a poupança deu bons frutos para os investidores.

Em contrapartida, no longo prazo, a tradicional aplicação não se mostra uma opção tão vantajosa. De acordo com levantamento da empresa de análises Economática, nos últimos cinco anos, a bolsa rendeu mais de 400%, enquanto a poupança teve alta de 51,54% .

"A poupança é um ótimo investimento para quem está começando a aplicar recursos e, por isso, atualmente faz tanto sucesso. Com o aumento da renda média da população, o pouco que sobra vai para a tal caderneta", diz o conselheiro da Brazilian Business School (BBS) e diretor de renda variável da Avant, Mauricio Pedrosa. Tanto é verdade que as aplicações nessa modalidade cresceram 121,8% em fevereiro deste ano (último dado disponível) em comparação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com o Banco Central, apenas em fevereiro foram aplicados R$ 1,963 bilhão na poupança.

Ganho certo

Essa aplicação é atrativa para os mais conservadores porque tem garantia de rentabilidade por parte do Banco Central: Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano), o que gerou ganho de 7,77% no ano passado. Além disso, se por algum motivo o banco não honrar o resgate do investimento, o Fundo Garantidor de Crédito paga até R$ 60 mil por CPF, por instituição, para cada indivíduo que provar ter aplicado o dinheiro. Na poupança, também não incidem o Imposto de Renda (IR) ou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

"A poupança é de fácil entendimento, permite que a pessoa aplique qualquer valor e tem liquidez diária, dependendo do aniversário da aplicação", afirma Pedrosa. A rentabilidade é creditada a cada 30 dias, lembrando que nos dias 29, 30 e 31 não há aniversário, em função do mês de fevereiro. Depósitos nesse período têm como data-base o dia 1º do mês seguinte.

A aplicação mais próxima da poupança, o fundo DI, segundo os especialistas, é para outro perfil de investidor e está atrelado à taxa básica de juros (Selic). Tem taxa de administração que gira em torno de 4% e paga IR e IOF. "É para o investidor qualificado, aquele que tem aplicado mais de R$ 300 mil e, quando quer algo sólido, opta por colocar parte de seu dinheiro no fundo de renda fixa", diz o conselheiro da BBS.

Longo prazo

A renda fixa também é mais apropriada para aquele que deixará o dinheiro aplicado mais tempo, esclarece o economista Carlos Eduardo Oliveira Júnior, do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon). "Com o passar do tempo, diminui a alíquota de Imposto de Renda sobre a rentabilidade." Ela é de 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias, passa para 20% no período de 181 até 360 dias, vai a 17,5% no prazo de 361 até 720 dias e cai a 15% depois de 720 dias.

Oliveira Júnior sugere ao investidor que mantenha entre 10% e 20% das aplicações em poupança ou renda fixa e o restante em rendimentos variáveis, como a bolsa de valores. "Mas isso é para quem já entende do mercado financeiro", afirma.

Para os pequenos e/ou mais conservadores investidores, a poupança é indicada como a solução perfeita. Além da rentabilidade garantida e não incidência de impostos, tem capilaridade de atendimento: qualquer agência bancária no território nacional oferece a modalidade.

E, aparentemente, o medo de confisco, como aconteceu no Plano Collor (em 1990, quando parte das aplicações foi retida pelo governo), deixou de fazer parte da memória dos poupadores e economistas. "As pessoas perceberam que as bases do País estão mais sólidas, mesmo sem entender como funciona o mercado financeiro ou a macroeconomia. Por isso elas voltaram à aplicação da época do vovô, a tão conhecida poupança", diz o professor de economia e finanças das Faculdades Rio Branco Antonio Cândido Azambuja.

Para aplicar

Na hora de fazer o investimento, o processo é bem simples. Basta a pessoa levar o CPF, RG e um comprovante de residência. É possível inclusive abrir uma caderneta em nome de terceiros, como tradicionalmente se faz com crianças. Nesse caso, um maior fica responsável pela aplicação até que a criança atinja a maioridade.

O valor mínimo necessário para a primeira aplicação em caderneta de poupança é determinado por cada banco, mas normalmente ele é inferior a R$ 50. Também é importante saber que, na hora de resgatar o dinheiro aplicado, vale a pena esperar o aniversário daquele montante. Caso contrário, pode-se perder os juros do período.

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