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  Mauricio Aquino Halewicz
  Diretor Corporativo
 Todo conhecimento adquirido e atualizado com o MBA BBS, está sendo aplicado nas minhas novas funções.
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O índice IBOVESPA acumula hoje uma desvalorização superior a 15%.
No meio de tanta volatilidade, o que todos nós queremos saber é se há uma mudança de direção na tendência de valorização das ações ou se tudo não passa de realização ou especulação de curto prazo.
Se nos distanciarmos dos eventos dos últimos dias e analisarmos a evolução da bolsa (e da economia por tabela) num período mais longo constatamos que ciclos de valorização forte são sucedidos por períodos de correção. No balanço, o saldo tem sido positivo. A bolsa sobe mais do que cai, digamos assim. Para ilustrar, lembramos que entre 2001 e 2007 o IBOVESPA subiu 319% enquanto o CDI acumulou 208%. Isso mesmo com perdas em 2001 e 2002 de 11% e 17% sucessivamente. Do ponto de vista emocional – e da mídia, no entanto, as quedas são sempre mais lembradas; em geral são drásticas e geram traumas. Valorizações sucessivas, mas pequenas, não tem o mesmo impacto. Este fator emocional é um componente importante. Tanto na valorização (que muitas vezes pode ser sem fundamentos concretos) como nas quedas (que também podem ser exageradas).

Em primeiro lugar, é importante lembrar as nossas premissas, as razões que nos fizeram acreditar na valorização das empresas brasileiras, agora e nos próximos anos. O Brasil vem de um passado de péssimo ambiente econômico para o desenvolvimento. Inflação altíssima, carga tributária asfixiante, baixa produtividade da mão-de-obra. Todos estes fatores, aliados a nenhuma política de desenvolvimento e frustradas tentativas de solução (planos econômicos Cruzado, Collor e outros), deixaram nosso país para trás. Aos poucos, ao longo dos anos, algumas ações prepararam o terreno para um desenvolvimento: abertura das importações (Collor), estabilidade monetária e previsibilidade de política econômica (FHC). E finalmente, o grande risco político que seria a subida ao poder do PT não se concretizou e nosso custo político diminuiu.

No ambiente mundial, embora com estresse geopolítico constante no horizonte (pós 11/2001), as economias interligadas pela globalização, aumentaram a produtividade, diminuíram custos de produção e cresceram em ritmo acelerado. Novos mercados ajudaram e ajudam a ampliar a massa consumidora. China e Índia crescem a taxas na ordem dos 10% ao ano, com populações gigantescas (1 bilhão para cima). Os EUA pesam na balança do outro lado, desacelerando o crescimento.

Dentro deste quadro, muitas empresas brasileiras rompem no cenário internacional como novos exemplos de sucesso. PETROBRAS , VALE, GERDAU, CSN são empresas que atuam num ambiente internacional. São beneficiadas com o crescimento do poder aquisitivo brasileiro e ganham importância e market share em outros países. Esta posição é estratégica porque num mundo interconectado, a escala de produção e o poder da comunicação e marcas são fatores-base para o crescimento.
Agora, como os ruídos recentes nos mercados financeiros e o slow down dos americanos podem interromper este processo virtuoso em que nos encontramos? O mercado financeiro atua nas empresas como um combustível de crescimento. Ele não produz nada diretamente. São as pessoas e as máquinas dentro das empresas que realmente são responsáveis pela produção. É a economia real. No entanto, o crédito injetado pelo mercado financeira na economia pode aumentar o consumo, conseqüentemente motivando as empresas a produzir mais. O crédito também atua na outra ponta, facilitando o financiamento de projetos de produção, ou seja, se falta crédito, os consumidores consomem menos porque tem que pagar mais caro para consumir e as empresas pagam mais caro para produzir bens. A economia como um todo, se desacelera.
Naturalmente, o mercado financeiro se baseia em credibilidade. Quando instituições financeiras – grandes bancos (estrangeiros) se mostram ineficientes e acusam prejuízos, os investidores acendem a luz amarela. Ninguém quer perder dinheiro, ter prejuízo.

Neste sentido, as atuações dos bancos centrais, em particular do FED, têm se mostrado importante. Os bancos centrais têm a missão de através da política monetária (taxas de juros), regular o ritmo da economia. Neste momento em que a economia americana se desacelera e a crise financeira do crédito imobiliário americano gera incerteza, o corte rápido dos juros (o FED cortou os juros em 0,75%) assegura aos investidores que o sistema institucional (embora não seja livre de falhas) é atuante.
A extensão de todos estes estragos e a eficiência dos bancos centrais em controlar esta crise é que está sendo colocada em discussão e gerando esta volatilidade que vemos hoje.

Admitamos ter a nossa frente três cenários. No mais pessimista, a crise de confiança no mercado financeiro cresce a níveis insuportáveis, bancos quebram, a inflação volta desenfreada, a economia entra em grave recessão. Nesta hipótese de quase catástrofe (econômica) as empresas têm que frear drasticamente a produção, cortam margens, eventualmente diminuem lucros ou tem prejuízos. Na nossa memória, o que representa um momento como este seria talvez a crise da bolsa em 29. Um evento que provavelmente traria o valor das ações para menos da metade do valor atual. Um segundo cenário intermediário seria a diminuição do ritmo de crescimento econômico, comprometimento dos planos de desenvolvimento das empresas no curto prazo (2 anos por hipótese) e relativa insegurança nos mercados financeiros e no ambiente institucional. Dentro deste quadro, imaginemos uma desvalorização nas ações das empresas da ordem de 30% por um período entre 1 a 2 anos. Depois deste período, o provável é que a tendência de crescimento seja retomada, cicatrizes se curam e o mundo continua. Ou seja, em 2 anos, teríamos novamente o valor que temos hoje. Num terceiro cenário, mais benigno, veríamos os mecanismos institucionais (bancos centrais) sendo capazes de manter o sistema financeiro sem quebra de confiança, a atividade econômica diminuiria, mas continuaria positiva. Neste caso, as bolsas teriam uma correção da ordem de 10 a 15% nos primeiros meses de 2008 e depois retomariam a tendência de longo prazo de valorização.

A bolsa de percepções (entre os analistas principalmente) atribui vários pesos para cada um destes cenários.   O melhor método de análise, na falta de um critério puramente objetivo, é o distanciamento dos eventos mais emocionais.  Nossa visão atribui uma probabilidade de 10% ao cenário mais pessimista, 30% para o intermediário e 60% para o mais otimista.  É difícil ponderar pontos positivos no meio da crise, assim como é difícil enxergar futuros riscos em momentos de bonança. Investidores devem sempre fazer os dois exercícios.

 

Hildete Vodopives - Colaboradora BBS

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