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| Depoimento do professor da BBS, Ricardo Torres. |
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A conquista do Prêmio Nobel da Paz pelo bengalês Muhammad Yunus coloca o Microcrédito no centro do debate social. Em particular no campo de políticas locais que visam combater a miséria de maneira sustentável através do reforço do estoque de riqueza dos mais pobres.
Acompanhem o depoimento do professor de Finanças da BBS, Ricardo Della Santina Torres, em torno da questão do microcrédito no Brasil.
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Ricardo Della Santina Torres é economista especialista em mercado de capitais internacional. Trabalhou como estrategista e chefe de mesas de trading de grandes bancos em Londres, Paris, Nova York e São Paulo, como Société Générale e Credit Agricole. |
O Dr. Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, criou um sistema de empréstimos através de seu Banco, o Grameen Bank, em Bangladesh, baseado em sua teoria e esperança de acabar com a pobreza através de liberação de empréstimos às pessoas das classes pobres, excluídas do sistema financeiro formal, por não apresentarem as condições mínimas exigidas de crédito e garantias necessárias para obtenção de financiamentos.
O conceito é do Dr Muhammad Yunus é simples: prover recursos sem garantias, quantias pequenas e exclusivamente para fins de investimento em produção (não o consumo), com taxas de juros baixas. Quantias pequenas, porém suficientes para que estas pessoas pudessem iniciar ou fomentar um pequeno negócio que lhes proporciona um rendimento e cria também empregos. O cerne da questão é a distribuição de renda através da popularização de recursos e oportunidades de crescimento.
Da forma pela qual foi concebido é um sistema magnífico e eficiente. Porém é válido sobretudo para a realidade dos anos 70, quando foi criado o banco e para a realidade de Bangladesh. O Banco Grameen empresta sem garantias nem papéis, sendo, sobretudo, procurado por mulheres: elas são 97% dos 6,6 milhões de beneficiários. A taxa de recuperação é de 98,85%.
No Brasil, do século 21, a realidade é bem diferente. Existem várias iniciativas no setor de microcrédito e várias instituições operando neste setor. O sucesso deste conceito é evidente muito mais em comunidades mais pobres, no Norte e Nordeste do país, para microempresas, empresas de fundo de quintal e artesãos, mas as facilidades em obtenção do crédito seguem padrões brasileiros. Isto significa dizer, que a burocracia se torna um impeditivo juntamente com as taxas de juros que não são tão baixas como em Bangladesh.
Os empréstimos são liberados em pequenas quantias, para as empresas, e não para as pessoas físicas. Com requerimento de avalistas. Portanto, o pequeno empresário tem que estar com o nome limpo no Serasa e SCPC; tem que ter firma aberta e apresentar um avalista. Tudo isto dificulta demais o processo e reduz o impacto positivo desta iniciativa ao limitar os beneficiados. Eu acredito que este seja um conceito que irá sem dúvida auxiliar a reduzir esta discrepante distribuição de renda no nosso país. Todavia, são necessários e imperativos maiores esforços para levar este benefício a um maior número de pessoas e adequá-lo à realidade brasileira.
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